Eu acho mágico este comportamento que nós seres humanos temos de nos reunirmos para trocar melhores práticas num determinado tema e discutir o próprio futuro.  Viajamos continentes e atravessamos oceanos para encontrar outras pessoas que estudam a mesma área para tentar construir algo maior. Foi o que aconteceu em Washington, em maio deste ano, na Conferência da ATD, que reuniu treze mil profissionais da área de Desenvolvimento de Talentos. Nas próximas linhas vou te contar as principais lições que eu trouxe na bagagem desse evento e que acredito que todo profissional de ponta deveria saber.

Dica: Não perca o item “8”.

1. Dar mais atenção aos sinais do meu corpo

A espetacular Oprah Winfrey foi uma das três pessoas que falaram na plenária do evento num auditório para 13 mil pessoas. Foi o ápice do evento na opinião de muitos. Entre suas brilhantes palavras, ela nos revelou as duas razões que a levaram a tomar decisões erradas nos seus vinte e cinco anos de carreira: “Não confiar nas suas vísceras”. Sabe quando tem alguma coisa no seu corpo te dando sinais sobre o que está acontecendo ou sobre como agir em uma determinada situação? Uma dor na barriga, uma sensação de mal-estar. Então pare de ignorar e comece a dar mais atenção a isso! Segundo a Oprah, esse pode ser um dos maiores sinalizadores para suas tomadas de decisão.

Como estar mais conectado com os sinais do meu corpo? Esse é um dos assuntos trabalhados nos workshops do Search Inside Yourself. Veja abaixo as cidades disponíveis e participe.

2. Agir com base em motivações maiores do que eu mesmo

A segunda razão que Oprah nos apresentou como fonte de más decisões na vida foi a de agir com base nas motivações do ego. De repente, ela tinha um programa com uma audiência gigantesca, estava ganhando muito dinheiro, mas não estava feliz. Ela percebeu então que poderia transformar seu programa, colocando-o a serviço de um bem maior.

Quando isso aconteceu, houve uma transformação no programa de TV e na vida dela. Uma série de acontecimentos espetaculares começaram a acontecer, desde oportunidades de ajudar projetos sociais incríveis até pessoas muito difíceis de trazer para o programa começaram a procurá-la para se colocar à disposição. E nós estamos falando de pessoas realmente de destaque. Você já fez aquela revisão de motivações na vida? Para qual fim sua energia vital e sua mente estão dedicados? Talvez esse possa ser o item mais importante da sua agenda porque, afinal, o resultado de todos os outros vai depender desse.

Quer ir mais fundo nisso? Cheque o livro “A Força da Intenção”, de Dr. Waine Dyer.

3. Promover a liberdade de experimentação

Eu tinha acabado de sair de uma sessão na qual foi abordada a importância do líder dar liberdade para que as pessoas errem e tentem. Em especial, num mundo volátil e de incertezas em que ficar num modelo mental fixo pode ser fatal.

Após sair dessa sessão, entrei em outra na qual a palestrante estava apresentando sobre como utilizar uma caixa de som inteligente num treinamento. E a coisa mais interessante que aconteceu ali foi que a tecnologia que ela ia mostrar não estava funcionando. Havia umas 150 pessoas nessa sala e você sabe quantas saíram quando viram que as coisas estavam dando errado? Incríveis menos de dez.

Diferente de uma sessão de baixa qualidade, essa foi uma em que a pessoa estava se expondo para tentar algo diferente. Nem os participantes e nem a própria apresentadora pareceram se abalar por isso. Ela seguia tentando fazer as coisas funcionarem e, ao mesmo tempo, dando informações sobre as experiências anteriores e aprendizados que já havia tido. As pessoas continuavam fazendo perguntas e tomando notas. Que sessão incrível!

Como você tem lidado com o comportamento da experimentação das pessoas a sua volta? Precisamos dar espaço ao novo, se não ficaremos estagnados no mesmo lugar. E aí? Se depender de você, teste e erro levam à punição ou ao aprendizado?

4. Planejar as jornadas de aprendizagem

Lifelong learning é o termo da moda, definindo a nova crença de que os estudos não terminam. Com um mundo passando por uma transformação tão rápida como a de hoje, não há mais solidez no conhecimento. Precisamos nos atualizar constantemente.

Quais as competências chaves para você melhorar sua performance agora mesmo? O que precisamente faz mais sentido para você desenvolver e que vai efetivamente facilitar o seu alcance pelos resultados que está buscando? Hoje tem muita coisa disponível para nos desenvolvermos, e muito mais a cada dia que passa. Se não tivermos clareza do que é mais relevante para nós, vamos acabar virando uma maquininha de consumir infoprodutos.

E se a empresa não tiver essa clareza, ela vai ter apenas o tempo das pessoas desperdiçados em programas desconectados das reais necessidades.

5. Desenhar os novos hábitos

Isso mesmo, cursos e livros são ótimos, mas na prática não é o que garante o aprendizado. Os famosos vinte e um dias para se adquirir um novo hábito foi apresentado como mito. Lógico que isso depende do hábito e da própria crença de quem está implementando. O pesquisador Michael Kim nos apresentou novos números que mostram que alguns hábitos, nem tão complexos assim, podem levar até três meses para serem adquiridos.

E você? Tem planejando com quais práticas vai se comprometer por pelo menos três meses depois da sua decisão de mudar? Talvez antes de correr para o próximo curso, você possa dedicar um tempo para planejar e se comprometer com essa mudança.

6.  Bem-vindos à era da diversidade

A geração “Z”, que hoje tem até 21 anos, nos próximos anos vai representar 47% de todas as minorias. O que significa que os líderes e as empresas que não tiverem políticas inclusivas consistentes e não souberem somar o diferente não terão pessoas da nova geração querendo trabalhar para eles. Simplesmente porque não vão se sentir representadas.

Se o modelo mental do profissional ainda está voltado para não tolerar diferenças- e aqui me refiro a qualquer tipo de diferença, inclusive no seu jeito de pensar- esse profissional vai ser o primeiro a ficar obsoleto, e não por causa de tecnologia com muitos temem, mas por falta de qualidade humana.

7.  Você acha que inovar é criar algo do nada?

Essa lição veio de uma sessão que tive com o próprio Charles Duhigg, escritor do livro “O Poder do Hábito”. Sabe aquele slide que a audiência inteira fotografa? Ele mostrou um que dizia: “O jeito de fazer novas coisas é: pegue um monte de clichês e reorganize-os, definindo um novo script.” Quantas vezes nos pegamos presos a modelos antigos ou travamos, tentando criar algo totalmente novo. Existe uma nova forma de inovar que a maioria ignora, simplesmente definindo um novo script para coisas que já existem. E a base desse comportamento é um hábito que, segundo o Charles, é o mais importante que um ser humano pode ter: “a curiosidade”.

Não é à toa que a maioria das inovações de um determinado setor vem de profissionais ou empresas de outros setores. Olhe para as principais soluções que estão impactando nossas vidas hoje. As de mobilidade urbana não vieram de empresas de transporte público. As de hospedagem não vieram da indústria hoteleira. Nem mesmo o smartphone veio de uma empresa de telefonia celular. Onde nossa mente pode estar viciada, não vendo as oportunidades? Cultivemos nossa curiosidade e sejamos menos exigentes com as novidades das nossas novas ideias.

8.  O futuro convoca uma nova liderança

Tem um burburinho de corredor, que estava no evento e está nas empresas, que é sobre a saúde dos profissionais. Isso não foi abordado de forma objetiva na conferência, mas diversas vezes palestrantes e participantes fizeram a pergunta: “Por que estamos adoecendo nas empresas?” Por que ascensão profissional, para muitas pessoas, significa entrar no mundo da tarja preta? Por que os números de depressão, ansiedade e burnout nas organizações está crescendo tanto?

Eu nem chamaria de lição, mas considero esse o maior chamado dessa minha experiência vivendo os quatro dias nesse evento. Como posso contribuir com o nível de consciência com que estamos vivendo? Estamos tão envolvidos com a tecnologia e correndo tanto atrás das mudanças que muitas vezes estamos nos esquecendo das coisas mais básicas. As competências mais importantes que precisamos desenvolver, num mundo em que as máquinas vão começar a fazer quase tudo, são as competências humanas essenciais. Algumas delas que, inclusive, muitos dos nos nossos avós já ensinavam.

Desejo que essas lições também te inspirem a ser um profissional humano ainda melhor. Encerro com uma frase que escrevi nas minhas inquietações pós evento:

A decisão crucial entre colocarmos a tecnologia a nosso favor ou virarmos escravos dela não será tomada olhando para uma tela brilhante e sim para os olhos de outro ser humano.

 

Daniel Spinelli

Tenho dedicado minha vida profissional ao desenvolvimento de pessoas. Minhas palestras e workshops já alcançaram dezenas de milhares de pessoas em mais de 20 estados brasileiros e outros 10 países. Acredito que a ampliação da consciência tem o poder de transformar pessoas e organizações.