Por: Marcio Simioni 

(Consultor de Desenvolvimento Humano da PS Treinamento Empresarial)

Publicado anteriormente aqui no blog. Se você não teve a oportunidade de ler o primeiro por algum motivo, sugiro que o faça antes de iniciar a leitura deste, para facilitar o entendimento.

–          Há uma guerra mental durante a corrida: continuar ou parar? As dificuldades são de todo tipo, dores musculares, cansaço, a urgência das tarefas profissionais, pessoais ou domésticas que estão esperando. Parar é sempre mais fácil.

Este é o tipo de sentimento que considero comum na vida profissional. São tantas questões, obstáculos e dificuldades de tantas naturezas diferentes, que por vezes chegamos a este ponto de pensar, “deixo tudo ou sigo em frente?”. Se o objetivo final não estiver claro, parar será certamente a opção escolhida em algum destes momentos.

–          Pessoas que aparecem correndo a uma velocidade alucinante são vistas apenas uma vez.

Não é muito raro que alguns profissionais tentem impor seu ritmo pessoal a uma equipe,  a um projeto ou até mesmo aos clientes. A ansiedade de entregar resultados leva a pessoa a negligenciar aspectos importantes do processo, correndo o risco de ser considerado ríspido ou até mesmo lunático. E o resultado disto é, geralmente, catastrófico para a carreira deste profissional. Correr no ritmo permitido pelas circunstâncias e variáveis  pode ser angustiante às vezes, mas levará à obtenção de resultados mais sólidos. Um piloto de corridas que seja muito veloz mas ganhe apenas uma ou duas etapas no ano e termine no muro nas demais, certamente não vencerá um campeonato. Muitas vezes um esforço concentrado se faz necessário, no entanto no final o que vale é a média, a consistência e sustentabilidade do ritmo.

–          Geralmente as metas não são alcançadas dentro do tempo estipulado, mas se persisto, consigo alcançá-las em algum momento. Quando iniciei minhas corridas de rua, fiz o lógico para traçar metas: pesquisei livros e sites para saber a média de tempo de uma pessoa para correr determinado trecho. Separei os tempos dos atletas de elite, dos atletas intermediarios e aí por diante. Coloquei as metas dentro do que eu achava possível, evitando altos riscos (metas muito ousadas) para não causar frustração, e nivelamento por baixo (metas muito fáceis), para não causar desinteresse. Apesar de ter conseguido cumprir apenas parte das metas no tempo estipulado, cumpri todas para o primeiro objetivo macro (um ano), e, inclusive, me surpreendi muito com o resultado.

Inúmeras vezes o mesmo acontece no trabalho. É muito importante o cuidado na hora de determinar objetivos e metas. Algumas não são atingidas e um sentimento de frustração toma conta do profissional ou da equipe. No entanto o mais importante é ter o objetivo fixo à frente, e continuar buscando-o ainda que pareça que alcançá-lo no tempo previsto tenha virado uma missão quase impossível. Mais importante que ter metas, é ter responsabilidade no momento de determiná-las.

–          Existe um instinto de competição no ser humano. Sempre que você se aproxima de alguém que corre a uma velocidade semelhante à sua, automaticamente a pessoa aumenta o ritmo. E eu notei que fazia o mesmo no início.

Talvez não haja situação humana onde a competitividade floresça em tamanha demasía e de maneira tão forte como no trabalho. É preciso estar atento aos comportamentos involuntários, os que surgem de forma inconsciente e que, se não são controlados, podem prejudicar muito o desempenho de uma equipe ou de um profissional, já que os relacionamentos são a base do funcionamento de qualquer organização.

–          Algumas pessoas me chamavam de louco quando dizia que caminhava 2 horas seguidas. Hoje todas se mostram incrédulas ou maravilhadas quando digo o quanto sou capaz de correr em 1 hora.

É preciso ter uma visão de longo prazo para se iniciar projetos inovadores dentro de qualquer organização. O que parece estranho, desastroso ou improdutivo no início, pode se mostrar fantástico e surpreendente depois.

A busca por uma vida equilibrada e saudável me brindou com estes aprendizados, além de estar causando muitos outros efeitos positivos em esferas distintas. Desejo que o texto lhe inspire a cuidar da sua saúde, e que você possa permitir momentos e situações de reflexão na sua vida, principalmente os que vem da experiência esportiva. Sucesso e boas corridas!