Por: Daniel Spinelli

(Consultor de Desenvolvimento Humano da PS Treinamento Empresarial)

Outro dia tive a felicidade de passar algumas horas com a Tia Dona, uma senhora de 95 anos que me contou alguns momentos importantes de sua vida. Vale citar que a Tia Dona esbanja lucidez, mora sozinha, pega ônibus, enfim é uma pessoa com autonomia apesar da idade avançada. Mas o mais interessante é a riqueza de detalhes com que se lembra de momentos que aconteceram há décadas.

Eu poderia escrever páginas sobre as histórias interessantes que ela me contou, fiquei realmente vidrado ouvindo suas aventuras pela vida. Mas ao final da conversa me caiu uma ficha que não pude deixar de compartilhar aqui no blog.

Na medida em que ela ia contando alguns dos momentos marcantes que viveu, em grande parte relacionados com sua vida profissional, eu fui percebendo as emoções que ela expressava e que ainda estavam ali, 30, 40, 50, 60 anos depois, ligadas às suas memórias de pessoas e acontecimentos.

Outra coisa interessante que percebi é que alguns desses acontecimentos repercutiram mudando o curso da vida dessa senhora. Alguns geraram problemas e sofrimentos, outros geraram melhorias de vida, alegrias, crescimentos e impulsos positivos.

Todas as histórias que ela contou estavam relacionadas com outras pessoas e foi aí que eu fiz o link com o tema do nosso blog: “profissionais em evolução”. Eu saí de lá realmente mobilizado com a  ideia de quanto podem ecoar os efeitos das nossas relações com as pessoas, do nosso estilo de liderança, das nossas decisões e dos significados que damos ao nosso trabalho.

Você já pensou que cada decisão sua que impacta outra (s) pessoa (s) tem o potencial de gerar um legado, um rastro da sua existência? Algumas pessoas poderiam pensar: “Poxa vida, mas que pesado vai ficar cada decisão dessa forma! Mais uma coisa para pensar!”. Após refletir um pouco depois de deixar a casa da Tia Dona, eu percebi que quando estamos nos relacionando no ambiente profissional, estamos o tempo todo gerando impulsos que repercutirão no tempo e no espaço. E que se tivermos consciência disso, quem sabe poderemos desenvolver uma visão mais ampla e mais sistêmica em relação ao que e a como estamos fazendo as coisas.

Acredito que há nesse aprendizado uma grande mensagem para líderes. Ao invés de colocar a minha conclusão nessa mensagem, deixo aqui algumas perguntas para você pensar:

  • Seu estilo de relacionamento tende mais a agradar a outra pessoa ou a promover seu desenvolvimento?
  • Quanto tempo você pensa à frente ao medir os efeitos de uma decisão?
  • Seu estilo de relacionamento tende a atender mais às suas necessidades ou você leva em consideração as necessidades das demais partes envolvidas?
  • Você está trabalhando na sua capacidade de enxergar as situações através de uma visão cada vez mais sistêmica?

Uma atitude sua nessa semana poderá estar sendo lembrada daqui a 60 anos, no sofá de uma sala vinculada a algumas emoções. Que emoções você gostaria que fossem?

Agradeço à Tia Dona por compartilhar sua história, pelo exemplo de vida e pelo delicioso chá. Como sei que a Tia Dona vai ler esse texto, reforço aqui meu incentivo para que escreva um livro sobre sua vida e registre suas memórias.