Interessante que cada pessoa com quem falei logo após o jogo interpretou o resultado da partida de uma forma diferente. Pessoas ficaram tristes, algumas até choraram, algumas mais entendidas distribuíram as responsabilidades entre jogadores e técnico.

Algumas mais serenas até reconheceram a soberania do futebol alemão neste jogo.

Eu acredito que independente do que cada brasileiro esteja sentindo ou pensando após o inacreditável recorde que batemos ontem – a maior derrota da seleção brasileira de futebol da história – esse momento, como disse o capitão David Luiz logo após o jogo, deve nos trazer algumas reflexões e quem sabe até aprendizados para a nossa vida real. Compartilho os meus sete aprendizados:

1 – “Tomar um gol” faz parte da vida, temos que estar preparados, pelo menos psicologicamente, para lidar com falhas. Quantas vezes nossos planos falharam? Quantas outras vão falhar?

Precisamos aprender que excelência e perfeição são coisas diferentes. Excelência se mede inclusive pela forma como lidamos com derrotas, e a perfeição pode levar à falsas expectativas e à prepotência.

2 – Quando temos uma falha e não reagimos o que acontece? Os alemães encontraram uma equipe absolutamente abatida e aproveitaram para fazer mais uns 3 ou 4 gols.

No mundo profissional muitas vezes acontece o mesmo. Não temos muito tempo para parar e pensar em tudo o que deu errado, por que e análises mais profundas.

Precisamos desenvolver um hábito de rodar PDCA – ciclo da melhoria contínua – automaticamente. Planejar – fazer – checar o resultado e fazer algo a respeito: mudar e reagir rápido quando necessário.

3 – Falar é fácil. Fiquei intrigado – e confesso não ter conseguido assistir por muito tempo – ao ver a forma como alguns comentaristas esportivos se tornam experts em listar erros e apontar culpados.

Que na vida sejamos os protagonistas, sejamos os que estão em campo, apesar dos erros que possamos cometer. “Não há chance de cair para quem não sai do chão”.

Se você quer voar, vá em frente, você é dos meus, mas nos preparemos para lidar com o pessoal da “arquibancada” e das “cabines”. Isso pode fazer parte do jogo, não se abale com isso.

4 – Integridade. A melhor atitude que vi na transmissão desse jogo foi a hombridade do técnico da nossa seleção em reunir os jogadores – ou o que sobrou deles – e ir ao centro do gramado e fazer questão de saudar a torcida mesmo debaixo de todo tipo de reação dos torcedores, entre elas vaias e xingamentos.

Assumir a responsabilidade e ser íntegro pode ser duro algumas vezes – principalmente quando as coisas dão errado – mas certamente demonstra caráter, um dos poucos atributos duráveis que um ser humano pode desenvolver.

5 – E por falar no Felipão, eu estava muito curioso pela coletiva de imprensa e ver como ele agiria naquele momento – provavelmente um dos mais difíceis de sua carreira.

Creio que acabamos de ser brindados com mais um exemplo para levar para salas de treinamento com o tema Inteligência Emocional.

Apesar de ser perceptível que fortes emoções estavam sendo vividas por ele, o técnico da seleção brasileira foi lá, deu a cara para bater, respondeu racionalmente a todas as perguntas, não se descontrolou em nenhum momento e prestou contas dentro daquilo que foi possível naquele momento.

6 – O choro das crianças realmente é de cortar o coração e talvez até por isso mesmo tenha sido mostrado em cadeia nacional.

Eles não ganharam essa para vocês, então vamos lá, vamos aprender a lidar com a tristeza, que faz parte da vida e vamos repensar que tipo de expectativas estamos criando, pois afinal não existem decepções, existem expectativas não atendidas.

7 – Excesso de autoconfiança pode cegar para as necessidades de melhoria e se tornar arrogância.

Achei bacana a atitude do Neymar de gravar um vídeo para dizer como se sentia e agradecer a força que estava recebendo.

Só uma frase dele me incomodou naquele vídeo, algo: “Eu tenho certeza que eles (meus colegas) vão vencer essa e ser campeões”.

Não podemos controlar o que o concorrente vai fazer, no mundo real o que podemos fazer é dar o nosso melhor em busca da vitória e das conquistas.

Precisamos a cada dia descobrir uma forma de nos superar. “A maior vitória que um homem pode ter é a vitória sobre si mesmo”.

Mais coerente do que se comprometer com ganhar do outro – o que pode ser conseguido até com uma falha alheia – é prometer autossuperação.

O aprendizado da Alemanha (na minha visão) certamente serve para toda empresa e profissional que busca dar a volta por cima de uma derrota. Em 2006 os alemães perderam em casa e ficaram em terceiro na Copa da Alemanha.

De lá para cá fizeram um trabalho consistente e de longo prazo, mantiveram o técnico, trocaram poucos jogadores e investiram em EQUIPE e ENTROSAMENTO.

Muitas empresas querem fazer como fez o Brasil nesta Copa, um grupo de gente boa não é mais suficiente para vencer num mercado competitivo.

Há ainda muitas empresas e profissionais que não acreditam ou não enxergam a importância do investimento na capacidade de trabalhar em equipe, no engajamento e na integração funcional do time.

É necessário, para vencer empresarial ou profissionalmente, ter uma visão de longo prazo, um plano consistente e investir nas competências necessárias para se chegar lá.

Se formos pensar dessa forma o placar desse jogo entre Brasil e Alemanha foi mais do que justo. Trabalhe excepcionalmente bem em equipe ou esteja sujeito a ser massacrado, mais cedo ou mais tarde, por uma equipe que o faça.

Para finalizar quero desejar ao povo brasileiro um aprendizado a mais: redescobrimos nossa capacidade de cantar a plenos pulmões o nosso hino nacional, lembremos que o hino que cantamos é do nosso país e não de um time de futebol.

Que as bandeiras continuem estendidas e que nosso sentimento de orgulho e de amor de ser brasileiro não seja abalado.